Muitos Amigos e Companheiros têm reclamado que gostariam de conhecer minhas opiniões sobre os assuntos do dia-a-dia, sobre as matérias dos noticiários, etc. Sempre ignorei tais instâncias porque, em primeiro lugar, pouca importância dou ao que a imprensa burguesa veicula, e, segundo, não entendo a relevância da opinião pessoal de um indivíduo que nunca se notabilizou em coisa alguma e que é o famoso “lustre desconhecido”. Mas, de uns tempos a esta parte, as solicitações estão se tornando mais constantes e algumas até raiando a impertinência, então, resolvi atender ao pedido. Todavia, posso adiantar que, para a decepção geral, minhas opiniões, via de regra, discordam da opinião dominante, são politicamente ultra incorretas e chocarão certamente a sensibilidade burguesa.

sábado, 16 de agosto de 2014

ACIDENTES E ATENTADOS

Com a trágica morte de Eduardo Campos rios de tinta serão gastos, inclusive, aventando a hipótese de atentado. Tenho por regra não comentar assuntos do momento, para não incentivar a estupidificação generalizada, mas, vou abrir uma exceção.

O fato é que mortes, sejam acidentais, sejam propositais, são corriqueiras na vida política nacional, e, infelizmente, o sr. Eduardo Campos não foi o primeiro, nem o mais importante, e nem será o último.

Nos primórdios da República, durante a ditadura presidencial de Floriano Peixoto, o Barão de Serro Azul, tradicional líder paranaense, foi jogado, junto com alguns dos seus correligionários de um trem em movimento (1894).

O Senador Pinheiro Machado, morto na porta do Hotel onde residia (1915). Crime passional transformado em assassinato político, exatamente como fizeram com João Pessoa, em 1930, que serviu de estopim para a Revolução de Outubro.

Ainda em 1930, Siqueira Campos, um dos 18 do Forte e partícipe da Coluna Miguel Costa (impropriamente conhecida como Coluna Prestes) também morreu num acidente aéreo, quando retornava do Exílio.

No seu quarto, no Palácio do Catete, em 1954, Getúlio Vargas foi “suicidado”... Ao tempo do Estado Novo, uma pedra gigantesca quase atingiu o carro em que Vargas dirigia-se para Petrópolis, escapou por um triz do “acidente”. 

Também, em 1954, Carlos Lacerda é vítima de um atentado na Rua Tonelero, em que acabou falecendo o Major Rubens Vaz, e no qual o polêmico jornalista conseguiu a proeza de dar um tiro no próprio pé...

Em 1955, Plínio Salgado, então concorrendo à Presidência da República, sofreu um gravíssimo “acidente” de automóvel, do qual escapou por milagre, mas, que de qualquer forma prejudicou sua campanha, pois, o “acidente” ocorreu pouco antes das eleições e a imprensa informou inicialmente que ele havia morrido, o desmentido de sua morte só chegou nas regiões mais distantes (o Brasil não dispunha, evidentemente, do sistema de comunicações em tempo real da atualidade), dias após o pleito, o que lhe custou centenas de milhares de votos. Aliás, parece que Plínio Salgado foi o Político Brasileiro recordista de atentados a sua vida, que teriam sido dezesseis, se a memória não me falha.

No ano de 1958, o então Governador de Santa Catarina, Jorge Lacerda, junto com o Senador Nereu Ramos e outros próceres da Política Nacional, é vítima de um acidente aéreo. O grande Político, eleito pelo Partido de Representação Popular – PRP -,  estava preparando um arco de alianças de âmbito nacional, que contrariava os interesses da plutocracia internacional, daí as suspeitas de que não tenha sido uma mera fatalidade.

Ainda no ano de 1958, no Piauí, o popularíssimo Deputado Federal Marcos Santos Parentes (irmão uterino de Milton Ferreira de Carvalho, conhecido líder Integralista), quando Candidato ao Senado (Coligação da UDN com o Partido de Representação Popular - PRP), morre em trágico acidente automobilístico, causando uma verdadeira comoção no Estado.

Num inexplicado acidente aéreo, em 1967, morre Castelo Branco, o primeiro Presidente da Redentora.

Na Dutra, em 1976, Juscelino Kubitschek, segundo as más línguas, acompanhado da amante, morre em “acidente” nunca suficientemente esclarecido. Também João Goulart faleceu em 1976, talvez envenenado, em seu vasto latifúndio argentino.

O Presidente Eleito Tancredo Neves falece em 1985, sem tomar posse. Internado com dores abdominais, inicialmente diagnosticadas como diverticulite, depois transformadas em câncer. Para alguns ele foi vítima de um atentado a bala, quando era entrevistado por jornalista global, que também teria sido alvejada, mas, que sobreviveu, tornando-se logo em seguida um dos maiores salários da TV em todos os tempos, por conta do seu silêncio sobre o suposto atentado. Tancredo oficialmente morreu em 21 de Abril, mas, há quem sustente que ele já teria ido fazer companhia ao seu primo Vargas uns dias antes, e que esconderam a notícia até aquela data para coincidir com Tiradentes. Como se o Povo Brasileiro soubesse quem foi Tiradentes... Quem se  apossou da Presidência foi o asqueroso José Sarney, apontado como filo-comunista no Inquérito Policial Militar sobre o Partido Comunista, presidido pelo General Ferdinando de Carvalho. De qualquer forma, isto de esconder a morte de alguém não seria novidade, pois, Costa e Silva não teria morrido em Dezembro de 1969, mas, meses antes, e que quando anunciaram sua trombose (em Agosto, se não estou enganado), ele já havia vestido o pijama de madeira, o que não foi revelado para garantir a governabilidade ou patacoada semelhante.

Em 1992, Ulysses Guimarães e Severo Gomes morrem em queda de helicóptero no litoral paulista. Nunca foram encontrados os restos mortais de Ulysses. Ora, como o desmembramento e desaparecimento do cadáver é castigo para os que rompem o juramento da maçonaria, traindo os seus segredos, isto permitiu que se criasse toda uma mitologia a respeito na época.

Neste mesmo ano de 1992, o Governador do Acre, Edmundo Pinto, foi assassinado em São Paulo, dois dias antes de depor sobre um escândalo de corrupção envolvendo FGTS.

Já em 1995, o primeiro Prefeito de Belford Roxo, Júlio da Costa dos Santos, o Joca, foi vítima de uma tocaia quando se dirigia para um encontro com o então Governador Marcelo Alencar (vulgo “Velho Barreiro”.), no Palácio Guanabara. Execução mesmo! Onze tiros! E ficou por isso mesmo, um crime cometido quase as Portas do Palácio.

E o famigerado PC Farias, Tesoureiro de Campanha de Collor, eliminado junto com a amante, numa autêntica “queima de arquivo”, em 1996, dias antes de prestar depoimento no inquérito sobre toda aquela patifaria que foi o Governo Collor de Mello, que enlameia hoje o Senado da República com sua corrupta presença. Aliás, seu Pai, o Senador Arnon de Mello matou a tiros “sem querer” um Senador pelo Acre, em 1963, em plena Sessão do Senado e ficou impune... Parece que é tradição de família... Quem será a próxima vítima desta família de bandidos?


E o até hoje não resolvido assassinato de Celso Daniel, Prefeito de Santo André, em 2002, pouco antes de expor o salafrário Lula? Quem sabe um dia o Palocci resolva falar...

Não me alongarei mais, até porque não tenho memória de elefante. O pouco que resenhei é suficiente para demonstrar que tal “acidente” inscreve-se perfeitamente na História Política Brasileira, e se o meu prezado leitor se der ao trabalho de pesquisar mesmo superficialmente pela Internet certamente descobrirá coisas do arco da velha.

Mas, terminando, e supondo que o “acidente” tenha sido premeditado, para saber quem é o responsável basta fazer a célebre pergunta: A quem interessa o crime? Ora, o Eduardo Campos não fazia nem cosquinha nas candidaturas de Dilma e Aécio, logo, não são eles os beneficiados... Deixo a conclusão aos inteligentes.

Anauê!