Muitos Amigos e Companheiros têm reclamado que gostariam de conhecer minhas opiniões sobre os assuntos do dia-a-dia, sobre as matérias dos noticiários, etc. Sempre ignorei tais instâncias porque, em primeiro lugar, pouca importância dou ao que a imprensa burguesa veicula, e, segundo, não entendo a relevância da opinião pessoal de um indivíduo que nunca se notabilizou em coisa alguma e que é o famoso “ilustre desconhecido”. Mas, de uns tempos a esta parte, as solicitações estão se tornando mais constantes e algumas até raiando a impertinência, então, resolvi atender ao pedido. Todavia, posso adiantar que, para a decepção geral, minhas opiniões, via de regra, discordam da opinião dominante, são politicamente ultra incorretas e chocarão certamente a sensibilidade burguesa.
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sábado, 20 de abril de 2013

O MÁGICO NA RIBALTA

Esta semana o Mágico Valadares ganhou súbita notoriedade nacional por perder as estribeiras, dizendo alguns palavrões e mandando uma criança mal educada ficar quieta num “show”. Imediatamente, os Pais zelosos de todo o Brasil ficaram indignados. Os mesmos Pais e Mães que acham naturalíssimo o aborto, mas que ficam magoados quando crianças são chamadas de moleques por um adulto que perdeu a cabeça. Os mesmos Pais e Mães que acham graça quando os filhos dizem seus “primeiros” palavrões, mas que ficam horrorizados quando um adulto perde o controle e diz uns palavrões a crianças. Os mesmos Pais e Mães que não ensinam os seus filhos a ceder o lugar aos mais velhos nos transportes públicos, e que não admitem que se mande uma criança mal educada sentar e ficar quieta. Os mesmos Pais e Mães que não dão um pingo de educação e civilidade aos filhos, e que acham natural que os outros aturem esses futuros viciados em formação. Os mesmos Pais e Mães que fingem não enxergar ou, pior ainda, acham normal, que seus filhos estejam se efeminando e suas filhas se masculinizando, mas que se chocam quando um profissional levado ao extremo da irritação manda uma criança encapetada calar a boca. Bom, felizmente, eu e minha Esposa não pertencemos a tal gênero de Pais e, portanto, nunca passamos por tal vexame.

Sendo absolutamente sincero, se estivesse no lugar do tal Mágico, não diria os palavrões, mas, mandaria o moleque ficar quieto e daria um bom cascudo naquela peste dos infernos, digo, naquela doce criança... E, é claro, passaria uma descompostura nos Pais, afinal, como diz minha sábia Tia Mariana, a criança é o espelho dos Pais.

Anauê!